sexta-feira, 13 de abril de 2012

Se vivo, Hillel Slovak completaria 50 anos nessa sexta

Se vivo, Hillel Slovak completaria 50 anos nessa sexta

Hoje uma das pessoas mais importantes que passaram pelo Red Hot Chili Peppers completaria 50 anos de idade.
Hillel Slovak nasceu em 13 de abril de 1962, em Haifa, Israel e sua família se mudou para os EUA quando ele ainda tinha 5 anos. Ele foi um dos fundadores do Red Hot Chili Peppers, junto com Anthony, Flea e Jack Irons.
O guitarrista não participou das gravações do primeiro álbum da banda, o The Red Hot Chili Peppers, de 1983, pois estava em processo de gravação com a banda What Is This, junto com o então baterista, Jack Irons. Por determinações legais, eles não poderiam gravar álbuns pelas duas bandas então optaram por continuar na What Is This.
Em junho de 1988 Hillel foi encontrado morto por overdose em seu apartamento na cidade de Los Angeles, deixando seu lugar, depois de alguns meses, para John Frusciante, um jovem fã da banda e que possuía dentre suas inspirações musicais o ídolo Hillel Slovak.
Nos dois álbuns seguintes, Mothers Milk e Blood Sugar Sex Magik, a banda homenageou seu amigo com as canções “Knock Me Down” e “My Lovely Man”.
No proximo dia 14 (sábado), um dia após seu aniversário, a banda será introduzida no Rock and Roll Hall of Fame e homenagens durante o evento não devem faltar.  A transmissão do Hall of Fame fica a cargo da HBO, e está marcada para o dia 5 de maio, nos Estados Unidos. No Brasil ainda não temos uma data para ser exibido.Veja abaixo um vídeo divulgado pela organização do evento e que mostra uma guitarra de Slovak, que ficará exposta num museu do Rock and Roll Hall of Fame, em Cleveland.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

John Frusciante The Past Recedes


John Frusciante The Past Recedes por Emerson Silva 

domingo, 8 de abril de 2012

Inauguração da Calçada da Fama em Cleveland dá inicio ao Hall Of Fame

Inauguração da Calçada da Fama em Cleveland dá inicio ao Hall Of Fame

Cleveland está pronto para cerimônia.
O Rock and Roll Hall of Fame and Museum inaugurou nesta tarde a sua “calçada da fama”, dando início aos eventos de mais de uma semana que antecederão a 27 cerimônia de indução no salão do rock, que será realizada 14 de abril no Public Hall em Cleveland.

O CEO do Rock Hall Terry Stewart inaugurou 14 placas embutidas na calçada em Lakeside Avenue do lado de fora do Public Hall. Mais três placas será concluída nos próximos dias, com 270 adicional para ser instalado em toda a cidade nos próximos anos.
O custo das placas adicionais serão cobertos através de um leilão, com recursos destinados a financiar futuras cerimónias de indução, disse Stewart.
“O conceito é ter essas placas e realmente conectar todas as áreas do centro e destacar uma vez mais que Cleveland é a capital do rock and roll“, disse Stewart durante uma conferência de imprensa.
O prefeito Frank Jackson disse que as cerimônias do Hall of Fame, que são mantidos em Cleveland a cada três anos, oferecem à cidade o ”tipo de exposição nacional e internacional que nunca poderíamos pagar para colocar Cleveland com uma grande cidade. ”
Homenageados deste ano incluem, além do Red Hot Chili Peppers, Beastie Boys,Guns N ‘Roses, The Faces, Donovan e outros. Nesses 11 dias de evento o público poderá ver diversos shows, reabertura da Livraria do Museu e uma exposição do Grateful Dead.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Detalhamos o novo palco do RHCP

Detalhamos o novo palco do RHCP


O Red Hot Chili Peppers iniciou uma épica turnê mundial utilizando o que há de melhor na indústria do entretenimento e com uma equipe técnica de fazer inveja a qualquer banda com super produções.
Iniciada no dia 07 de outubro na Alemanha, a turnê mundial do novo álbum “I’m With You” tem um imenso LED Backdrop (telão de fundo) feito com V28 panels da LSI Saco, um logo da banda desenhado no chão e feito com LED 30mm da Tait Towers  e 8 impressionantes LUSTRES independentes que se movimentam em 360° e se expandem dando dinamismo, profundidade e uma sensação tridimensional a apresentação.
O novo palco tem como base a forma octogonal, desde ao logotipo da banda no próprio palco até os suportes das luzes e foi totalmente projetado pela United Visual Artists (ou UVA), estúdio baseado em Londres e especialistas em arquitetura, design, animações e instalações digital. A UVA esteve recentemente no Brasil com uma instalação (“Room With A View”) dentro da exposição The Creators Project que aconteceu na Bienal de São Paulo.
Conversei com David Bajt, o líder do projeto d3 (software próprio da UVA que você vai entender mais a seguir), e ele contou vários detalhes sobre o novo palco, que apesar de parecer muito complexo sua construção, leva apenas 2 horas para ser erguido nos locais dos shows.
Mais uma matéria que você só vê no RHCP BRASIL.
For English, read on The Chili Source 

Vocês receberam alguma orientação do RHCP para construir o palco ou o processo de criação foi todo da UVA?
Foi 100% UVA, mas é claro que tinha que ser realista em termos de shows e a banda teve que aprovar também.
Quais são os tamanhos dos telões usados neste palco?
O LED Backdrop (telão de fundo) tem  17.92m de largura, 6.72m de alta.
Lustre (telões suspensos): 3.024m de largura e altura (fechado) e 9m de altura (quando aberto) + o suporte chega aproximadamente 10,5 m de altura.
E o logotipo no piso: 21m 12m, largura.
A resolução do LED Backdrop e dos lustres acima são os mesmos? Qual é a resolução deles?
Cada lustre tem a resolução 336×336.
O backdrop tem a resolução 640×240.
E no piso tem a resolução 700×400.
São oito (8) lustres suspensos acima da banda, como eles foram construídos? Eles foram feitos com LED ou outro material específico?
Os LED para os oito lustres são feitos de painéis LSI Saco v9 fornecido pela Nocturne PRG. Os lustres em si foram construídos e projetados pela empresa Tait Towers. Todos os movimentos são controlados pelo sistema Navigator Tait, que envia todos os dados da posição, rotação e expansão para o nosso software d3 que automaticamente mapeia o conteúdo para eles, independentemente se eles estão abertos, fechados ou girando.
Eles ficam apenas acima da banda ou se movem acima do público?
Ficam em cima da banda apenas, já que eles formam um projeto em conjunto com o chão (asterisco) e o pano de fundo.
Eu vi um vídeo que mostra os lustres se expandindo em algumas músicas e parecia que estavam se posicionando por cima de cada ponta do asterisco que fica no chão. Como ele funciona? Foi inspirado no telão que a Barco criou para U2 que também se expandem?
Nós usamos o logotipo da banda como uma peça chave para o projeto – é no chão, e as telas acima da banda refletem isso de uma forma mais abstrata. Telas que se expandem não são novas, mas você não costuma vê-los desta forma versátil. Essas se expandem por meio de motores na parte superior e inferior de cada lustre, e todos os dados de rastreamento vai para d3. O d3 é a nossa ferramenta própria de produção integrada, nós (UVA) usamos ela para todas as nossas instalações. Usando d3 podemos pré-visualizar o show em 3D, e usá-lo para sequenciar todo o conteúdo / cinética. Durante o show vamos usá-lo para controlar o conteúdo de vídeo, movimentação das telas e alimentação de câmera ao vivo. Tanto U2 quanto esse show RHCP usa telas 360°, por isso, nesse sentido, é semelhante, embora a sensação de todo o show é muito diferente. U2 também usam o nosso sistema de d3, de forma que é semelhante também!

Qual a velocidade em que eles se movimentam?
É rápido! Demora cerca de 20 segundos para partir de completamente fechada para completamente expandida.
Sobre as luzes, animação e movimento dos lustres, é tudo automático? Ou quem controla tudo? Uma vez ouvi falar de uma mesa de controle chamada GrandMA, eu não sei muito a respeito, mas este produto é usado?
Sim, o operador de vídeo (Leif Dixon) e o designer de iluminação (Scott Holthaus) ambos usam GrandMa, que é muito utilizado na indústria da música ao vivo, geralmente para controlar a iluminação. Há um monte de coisas acontecendo durante um grande show como este - movimentos da tela, o conteúdo de vídeo, luzes  - e todos esses elementos podem ter seu próprio sistema por trás dele. Nós conseguimos integrar com sucesso o d3 com a GrandMA pela primeira vez, o que significa que você pode usar a mesa GrandMA para ir para a pista seguinte em conteúdo de vídeo, por exemplo. Isto dá aos controladores de mostrar muito mais flexibilidade.
Os dados das posições de tela vêm automaticamente do d3, mas muitas das posições de tela e configurações foram programadas durante os ensaios da produção técnica. Assim que conseguimos o set list de Anthony Kiedis (geralmente apenas 15 min antes do show) dizemos ao técnico que controla as telas para combinar as posições das telas com o conteúdo das músicas. O controle das luzes e o vídeo são baseados em pistas (ponto de partida), o operador de vídeo usa uma mesa grandMA para saltar para a pista seguinte na timeline do d3. A banda quando está tocando adicionam/retiram muitos elementos por isso é impossível usar Midi timecode ou similar (para sincronizar o controle de luz e vídeo com a música). Esta é uma verdadeira banda punk-rock que improvisa muito, então um show completamente pré-planejado nunca se encaixaria com sua espontaneidade musical.
A iluminação e  animações foram feitas após o palco ter sido totalmente construído ou tudo foi planejado em conjunto?
Alguns conteúdos foram planejados durante o processo de design do palco, mas a iluminação foi sequenciada durante os ensaios de produção. A coisa boa com d3 é que você pode simular todo design de vídeo meses antes dos shows começarem! Estas animações foram enviadas para os empresários e banda para aprovação.
Algumas pessoas reclamaram do fato que não há telões com imagens da banda tocando ao vivo, que poderia ser bom para aqueles que estão muito longe do palco. Por que  as imagens projetadas contêm efeitos? É alguma decisão da banda para evitar vídeo ilegal na internet?
Isso depende do show, todos eles são diferentes - os de Londres e Alemanha, por exemplo, tinha um monte de câmera em tempo real com e sem efeitos, mas talvez você viu um diferente?
Quem teve a ideia de fazer o logotipo do RHCP no chão usando LED? Qual tipo de material usado para fazer um grande efeito visual e ao mesmo tempo suportar todos os equipamentos acima?
Foi nossa ideia aqui na UVA. Nós somente especificamos as formas arquitetônicas, movimentos da tela, e os requisitos das telas de LED (brilho, taxa de pixel, etc) e, claro, especificando como os suportes de iluminação seriam feito. Por exemplo, você pode ver que os três suportes de iluminação no interior dos lustres seguem a mesma forma do logotipo (octogonal). Foi tudo pensado com muito cuidado, você tem que ter cuidado quando se está trabalhando nesta escala. Tait Towers, que são especializados na construção de palcos, certificou-se que tudo  foi projetado corretamente e que tudo funcionasse.
Mas a banda colocou um tapete no palco e é quase impossível ver o asterisco, você sabe por quê? A superfície se tornou lisa e oferece risco para o Anthony?
É uma razão muito prática e pessoal: Anthony Kiedis tem alguns problemas com os joelhos, então, para alguns shows tiveram que colocar um tapete macio no chão para acomodar isso. Este será substituído por uma tela transparente de modo que o logotipo será totalmente visível. A banda realmente gostou dele - na verdade Chad até solicitou para elevar o palco dele (não era no início) para que ele pudesse ver o chão melhor!
AK usando tapete no palco
Quanto pesa cada tela de vídeo? E quantas toneladas  tem todo o palco aproximadamente?
Nós não sabemos, desculpe.
Como faz o transporte de um país para outro?
Há 5-6 grandes caminhões para transportar todos os kit e outro 5-6 ônibus de turismo que transportam funcionários.
Quanto tempo leva para construir todo o palco no dia do show? Há bandas que tem mais de um kit (conjunto) de palco para dar tempo de construir na cidade seguinte, é necessário com RHCP?
Como designers, nós apenas viemos com a ideia e de como construí-lo, então na verdade não somos nós que construímos toda estrutura em cada show. No entanto, a gerência do RHCP tem uma equipe muito experiente e profissional que viaja com a banda e constrói o palco para seu show. Nós sabemos que só leva cerca de 2 horas para construir o palco inteiro! Então por isso eles podem viajar e fazer um show em qualquer lugar todos os dias (com apenas um kit/conjunto).
Em termos de logística, é difícil e caro trazer este palco para o Brasil?
Desculpe, não sabemos sobre isto também. Isso faz parte da gestão da banda.
Para o próximo ano que terá shows ao ar livre, estádios e grandes arenas, eles vão usar o mesmo palco?
Sim, pelo menos por parte  da turnê dos EUA. Não temos certeza o que vai acontecer, isso teria que ver com a gerência da banda.
Toda essa estrutura é especial para RHCP ou vai ter linha comercial futuramente?
Ele é feito especialmente para RHCP, por isso não será visto em outro lugar.
Com quais outras bandas vocês também trabalharam?
Nós projetamos palco (e conteúdo) para bandas como Massive Attack e Jay-Z, mas a nossa ferramenta de produção d3 é usado por muitas bandas, incluindo U2, Kylie Minogue,Take That, Robbie Williams, Battles, George Michael  e muitos mais.
Muito obrigado

Mais fotos

Agradecimentos pelas fotos: James Medcraft

Entrevista dos Chili Peppers para a revista Q Magazine

Entrevista dos Chili Peppers para a revista Q Magazine

E as entrevistas não param de surgir. Dessa vez foi a Q Magazine, uma revista do Reino Unido.
Na matéria eles falam sobre o ex-guitarrista John Frusciante e de sua saída da banda e como foi trabalhar com o também ex-guitarrista, Dave Navarro. O quanto foi diferente o trabalho com Josh Klinghoffer. Sobre o seu polêmico livro, Scar Tissue, Anthony Kiedis diz: “Poderia ter revelado muito mais”. Chad Smith brinca sobre a sua semelhança com Will Ferrell.
Flea se emociona enquanto conta sobre um menino que ele ajuda em seu Silverlake Conservatory.
Falam sobre drogas e Flea diz: “Eu ainda fumo maconha de vez em quando”.
É uma excelente entrevista. Uma das melhores já concedidas pela banda.
Confira a tradução da máteria abaixo:
“Morrer nunca pareceu uma boa idéia…” Red Hot Chili Peppers não serão mortos.
“Tenho certeza que vou ter que urinar antes de terminar”, diz o baixista Flea à “Q” na entrevista (e 36 minutos depois, ele foi ao banheiro).
Como o esperado de alguém que passou horas com seu terapeuta, ele enfrenta a tensão na sala.
“Tem uma coisa que eu queria dizer”, ele diz, com cada palavra saindo como se fosse uma metralhadora. “Sou muito grato ao John Frusciante. Ele fez muita coisa pela nossa banda. Como um amigo, como um companheiro de banda, ele é insubstituível”. 


Q Magazine: Por que ele saiu de novo?
Flea: Você tem que perguntar à ele, provavelmente um bilhão de diferentes motivos. John é um homem muito inteligente e está fazendo o que ele quer. O que mais você pode querer de alguém?
Q: Você imaginou que isso aconteceria?
Flea: Estou aberto a qualquer coisa que aconteça a qualquer momento.
Anthony: Isso não me surpreendeu em absoluto. Quando a turnê acabou, eu sabia que uma mudança estava por vir – e com o passar dos meses e coisas que ouvia do John, eu já sabia que era questão de tempo. Mas nunca senti que havia acabado para a banda, só que John estava se “aposentando” graciosamente, o que realmente aconteceu. Foi para o bem de todos e uma benção.
Q: Então você nunca considerou acabar com o Red Hot Chili Peppers – sendo que a banda já teve 7 guitarristas?
Anthony: Nossa. Sabe, eu nunca contei guitarristas. Mas não, falando por mim mesmo, nunca pensei. Acho que fazer isso seria desistir, porque eu sempre acho que o melhor está por vir.
Flea: Eu achei que se o John saísse, eu definitivamente não queria continuar a banda sem ele. Mas depois que ele saiu, algo mudou em mim e encontrei um amor muito profundo pelo Chili Peppers e particularmente pelo Anthony. Nós somos amigos desde que tínhamos 15 anos. Éramos inseparáveis. E embora nosso relacionamento tenha sido bem hostil…Nós somos tipos de pessoas diferentes. Nós nos ofendemos e podemos ser um casal de moralistas com cara de buc*e*a! Mas eu realmente amo ele, ele é meu irmão.
Q: Tinha um precedente do One Hot Minute a se considerar. Não foi bom, foi isso?
Flea: Pode ter havido um pouco de medo por um tempo. Mas o lance é o seguinte, Josh colocou seu coração nesse novo álbum e eu sabia que se ele tivesse feito aquilo, aí poderíamos ter feito errado. Deus abençoe Dave Navarro, ele é ótimo, mas seu coração não estava conosco. O processo inteiro em fazer aquele álbum, foi como arrancar os dentes em todos os sentidos.
Anthony: Com certeza foi um período estranho. Musicalmente foi estranho, porque pessoalmente foi estranho. Eu estava saindo de um período obscuro e Flea estava tendo suas próprias lutas pessoais. Deus sabe o que Chad estava fazendo, mas provavelmente estava em um armário escuro em algum lugar. E aí, Dave Navarro é um personagem um tanto incomum e colorido. Considerando tudo, o fato de termos escrito músicas e gravado um álbum, foi uma realização.
Q: Josh parece irritantemente jovem…
Flea: Oh, ele vai conseguir todas as buce*as.
Q: Falando sobre as primeiras impressões do álbum, parece que ele trouxe algo ótimo para a banda…
Anthony: É como começar de novo sem ter que fazer 25 anos de trabalho.
Flea: A parte mais complicada de tocar com Josh, pra mim também foi a melhor, que é o fato de ele ser completamente diferente do John. Tinha coisas que eu esperava que John fizesse: ele é um músico fenomenal, que eu estava acostumado a tocar algo e -bam!, John iria acompanhar. Ele, Chad e eu fechávamos, e era indiscutivelmente bom. Josh é bem diferente. Ele ficava flutuando, viajando com essa textura etérea, e eu pensava: “Whoa! Quando ele vai fazer aquilo que sabemos? E ele não fazia. Eu tinha que dizer pra mim mesmo: ‘cara, relaxe’.
Q: Como foi isso pra você, Josh? Se juntar à uma banda com uma história tão grande e ter que preencher os sapatos (lugar) de uma pessoa tão imponente?
Josh: Eu não poderia começar a achar que substituiria Frusciante. Então só poderia resolver e fazer algo novo com esses caras.
Anthony: Os sapatos de John foram tão bonitos, não poderíamos esperar que Josh fosse como ele. Apenas trazer sapatos novos. Josh tem sapatos incríveis.
Q: O twitter não existia na última vez que vocês fizeram um álbum. Flea, você twittou o nome do novo álbum 3 vezes em poucos minutos na noite passada.
Flea: Twittar me faz querer chupar meu próprio pênis. Se você for beber um monte de café, ou você borra suas calças ou começa a twittar. O Chad conhece esse cara…
Chad: Oh não, não, não!.
Flea: O quê? Bem eu conheço um cara…(olhando para o Chad). Assim está melhor? Esse cara tomou muito café. Ele agachou pelado numa mesa de vidro, daquelas que caras pervertidos deitam. E aí ele fez esse grotesco e psicodélico líquido marrom na mesa e os caras iriam deitar nisso e bater seus pênis.
Chad: Era chamado de O Barco com fundo de vidro.
Flea: Uma parte tangencial da cultura humana que eu acho que recebe pouca atenção. A humanidade é cheia de grandes coisas, como Bach, Charlie Parker, Da Vinci e O Barco do fundo de vidro.
Q: Havia evidentemente um grau de atrito dentro da banda depois que Scar Tissue saiu… (o livro)
Anthony: Choque, horror.
Q: Você revelou muito?
Anthony: Poderia ter revelado muito mais, realmente poderia. Foi minha primeira tentativa em tentar contar a verdade sobre mim mesmo… e você tem que ter a consciência de não contar as histórias dos outros de um jeito que eles fiquem inconfortáveis com isso. Em retrospecto, eu cometi erros ao longo do caminho e pedi desculpas por eles. Causou um pouco de conflito, mas acho que fui perdoado. Pela maioria.
Q: Você já terminou de ler o livro do Anthony, Flea?
Flea: Eu nunca terminei, não. Vai chegar um momento em que vou querer, mas isso meio que me assusta. Obviamente, é a perspectiva do Anthony sobre o que aconteceu…
Q: Se a história dos Chili Peppers virasse um filme, qual seria o ponto dramático?
Anthony: Ohh Deus, qual é! Tanto drama. Mas obviamente a morte do Hillel, a maior perda e momento marcante de nossas jovens vidas naquela época. Ter 26 anos e perder o ventrículo esquerdo do coração foi provavelmente a coisa mais dramática que já aconteceu na minha vida. Mas amo nossa história, por melhor ou pior que fosse, pela dor, pelos ganhos. Todos fomos putos de vez em quando, e todos cresceram durante esse tempo também.
Flea: Todas as coisas que deram errado, foram dificieis. Mas por causa dessa dificuldade, foi uma grande oportunidade para o renascimento, todas as vezes. Eu aprendi a ser grato pelos desafios, porque eu sei que não importa o quão difícil seja, algo bom sempre vem depois. Essas duas coisas não podem existir uma sem a outra.
Chad: O que eu sei, é que não quero que o Will Ferrell me interprete nesse filme.
Q: Algum arrependimento?
Anthony: Não enquanto estou sentado aqui.
Flea: Mudar todas as merdas que fiz? Não. Você chega nesse mundo e tem que cometer erros para crescer. Eu já fiz tantas coisas. Eu fui um rude, desagradável, egoísta, moralista e idiota muitas vezes. E sou grato por isso.
Q: Anthony, você escreveu em Scar Tissue sobre estar fora dos trilhos durante a turnê do Californication, em ficar enfurnado num hotel de L.A. com sua namorada, fumando crack e heroína durante 24hrs por dia. O quanto de culpa, ao longo dos anos, você atribui à sua educação não convencional?
Anthony: Humm, isso era uma pequena bomba de tempo dentro de mim que sempre ficou esperando para explodir. O ambiente tem uma influência, mas eu acho que teria acontecido independentemente da minha educação. Tinha algum demônio lá, esperando pela sua hora.
Q: Você se pergunta como que ainda está aqui?
Anthony: Nunca achei que morrer fosse uma boa idéia. Acabei de ter um filho, então estou procurando um longo percurso no momento.
Q: Como foi na universidade, Flea?
Flea: Eu amei, e honestamente, adoraria voltar. Eu mal passei pelo ensino médio. Eu nunca fui uma pessoa educada fora do meu próprio processo de crescimento. A principal coisa que fiz, foi analisar Bach. O que ele fez foi o auge da realização humana. Tendo, 5 diferentes e complexas melodias ao mesmo tempo, cada uma sendo a coisa mais maravilhosa que você ouviu, e todas trabalhando juntas. A geniosidade confunde a mente. Eu gostava de estar em um lugar onde eu não tinha que me sentir culpado por escolher o cérebro de alguém.
Q: O Silverlake Conservatory já tem 10 anos…
Flea: É uma grande parte da minha vida. É difícil manter financeiramente, mas é uma coisa maravilhosa. Eu fui uma criança difícil. Eu ficava na rua, invadia as casas das pessoas, usava drogas – todas essas coisas. Mas a única coisa que me mantia intacto, era ir na escola e tocar na banda de jazz, na banda marcial. A música me deu senso de disciplina. Senão, quem sabe o que teria acontecido comigo.
Q: Você leciona no Conservatório também. Qual o segredo da boa aprendizagem?
Flea: Para responder essa pergunta, eu quero contar uma rápida história. Tinha uma criança que eu dava aula, ele tinha uns 10 anos. Foi durante o período que o Chili Peppers ficou 6 meses parado, e eu estava lá o tempo todo. Eu estava ensinando trompete pra ele. Era um menino que estava sendo jogado de casa em casa de adoção, e ele tinha dificuldade em prestar atenção. Eu criei amizade com ele, então ia buscá-lo todas as manhãs – ele estava morando num orfanato horrível. Ele gostava de música, mas não sabia quase nada a respeito. Mas ele pegava seu trompete e se dedicava. Eu via seu rostinho, absolutamente determinado a tirar um som daquela coisa. Esse garoto, na última vez que falei com ele há alguns meses, ele havia entrado na USC. (Flea olha pra cima e começa a chorar). É tão lindo. Significa muito para mim. Fico emocionado com isso (Flea se recupera).
Q: Vocês estão perto dos 50 anos já..
Flea: Estou, mas também mais consciente do que nunca sobre cada momento que passa. Eu realmente sinto alegria e uma profunda satisfação em estar no momento.
Anthony: Eu gosto da idéia de desafiar a norma de como é estar nos seus 40, 50, ou 60. Descobrir o surfe nessa etapa da minha vida, definitivamente vai me manter ativo até o dia que eu morrer. Então, sim…eu aceito o desafio. Do mesmo jeito que (o guru nutricional americano, o The Godfather of Fitness) Jack LaLanne fez, fazendo coisas aos 70 anos que nenhum homem na Terra faz: puxar rebocadores no San Francisco Bay com os dentes.
Q: Como que o seu regime diário agora, difere de 15..20 anos atrás?
Anthony: 100%
Q: Significa o que, precisamente?
Anthony: Significa 100%
Flea: Acho que estou mais feliz agora, do que em toda minha vida. Acho que nunca amei completamente quem eu era antes, e isso sempre me incomodou. Meus relacionamentos com as pessoas em geral são muito melhores. Mas minha rotina é praticamente a mesma. Eu acordo e faço algum exercício físico. Vou surfar, participei da maratona de L.A. esse ano. E depois, é um dia de músicas e entes queridos.
Chad: O meu é muito diferente. Há 20 anos atrás, eu queria escapar de mim mesmo. Eu fazia qualquer coisa pra isso – andar de moto, ficar chapado, mulheres, drogas…Eu não sou assim hoje. Eu sou um pai, um marido. Não sou perfeito, mas vejo progressos.
Q: Como é fazer parte do Chickenfoot?
Chad: Fico ouvindo histórias sobre Eddie Van Halen do Sam e o Michael.
Anthony: Acho que nunca ouvi Chickenfoot. (para Josh) Vocês já? (para Q)
Q: Não.
Anthony: Aí está: Três homens em uma sala que não escutaram Chickenfoot.
Q: Qual é o final da linha?
Flea: Eu sempre achei que esmagar uma grama de cocaína iria estourar a po**a dos seus olhos…
Chad: Tem essa nova droga que supostamente é mais tóxica que o crack.
Flea: Nós crescemos em uma cultura de drogas, e quando era mais novo, eu usei muito. Quando parei, no começo fiquei entediado. Tipo: ‘Deus, isso é chato.’ Aí comecei através de outros meios, a ter experiências alucinógenas – como meditações e coisas espirituais. Todas essas coisas (por meio do qual), eu definitivamente entro num estado alterado de consciência. Tem várias maneiras de ficar chapado, com as drogas você só fica mais rápido. Eu ainda fumo maconha de vez em quando, mas estou praticamente sóbrio.
Chad: Já fiquei tão louco a ponto de ter uma experiência de quase morte quando bati minha moto. Tem um lugar no Sunset Boulevard chamado Dead Man´s Curve. Tomei muito ‘Island Iced Teas’ e fui virar a esquina com minha moto. Estava no trânsito e naquele momento, eu sabia que não iria conseguir voltar. O mundo ficou parado completamente. Tudo estava super brilhante. Eu podia ouvir os pássaros piando. Foi uma experiência incrível.
Flea: De todas as descrições que você ouve de pessoas esclarecidas, é assim que é o tempo todo.
Chad: Nada vence isso. Se você pudesse viver sua vida assim, sem o perigo iminente do carro, seria a coisa mais foda. Mas só durou uns 3 segundos, e depois: ‘bam! argggghhh!
Anthony: Acho que morrer é o fim da linha. Eu gosto de como o Chris Rock (comediante) quer morrer: dirigindo a 150 enquanto uma Kardashian* te chupa, e ouvindo o primeiro álbum do NWA no último volume.
Q: Como você quer morrer?
Anthony: No banco de trás com a outra irmã Kardashian, é claro.
Q: Quando você chegou ao fundo do poço?
Flea: Estive muito mal no passado onde em alguns momentos eu questionava o valor da minha existência. Foi o fundo do poço pra mim. Mas agora estou por cima.
Q: Quando foi a última vez que chorou?
Josh: Dois anos atrás. Meus tubos de lágrimas nunca funcionaram direito.
Anthony: Eu sou um chorão, me avisa se você precisar de algumas dicas. Eu poderia chorar todos os dias, de um bom jeito. Se eu apenas sentar e pensar no meu filho. Sentei no avião recentemente, indo do Hawaí para Los Angeles, com Rick Rubin e assistimos o filme do Justin Bieber, Never Say Never. Chorei umas 2 vezes durante esse filme e quero que o mundo saiba disso! Eles estavam sorteando ingressos de show para garotas de 16 anos. O sorteio não importava, mas sim a reação daquelas crianças. Quando vi aquelas garotas chorando loucamente, eu perdi a cabeça. Decidi contar ao Rick e ele disse: ‘Eu também estava soluçando durante aquela cena’. Aí está.
Q: Tem algo a mais para declarar?
Flea: Está tudo bem, cara.
[A entrevista também falou sobre a história da banda, mas isso não é nenhuma novidade]
…
Transcrição da revista: Helen Henderson.
Tradução: Amanda Olivieri.
Agradecimentos: Ana Paula Mancini.
*Obs: “Kardashian” é Kim Kardashian. Modelo, socialite e atriz que teve divulgada uma gravação de imagens em relações sexuais dela e o cantor Ray J vazada.
Imagens da Revista aqui.

Download grátis de músicas da turnê europeia

Download grátis de músicas da turnê europeia

A banda volta hoje aos shows, após a recuperação da cirurgia que Anthony Kiedis sofreu.
Foram quase 4 meses longe dos palcos.
Hoje o show será em Tampa – Florida, e dará inicio a parte Norte Americana da turnê da banda.
E para comemorar a volta, o site oficial da banda disponibilizou um Live EP da turnê europeia para download gratuito.
São músicas escolhidas por Chad Smith como suas apresentações preferidas dessa parte da turnê.
As músicas são:
Look Around (19.11.2011 Birmingham, UK)
Dani California (19.11.2011 Birmingham, UK)
Monarchy Of Roses (15.11.2011 Manchester, UK)
If You Have To Ask (14.11.2011 Manchester, UK)
Give It Away (11.11.2011 Milan, ITA)
Para baixar é facil.
Entre no link http://bit.ly/FreeLiveEP.
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quarta-feira, 28 de março de 2012

Show do RHCP no Bonnaroo 2012 será transmitido ao vivo pelo Youtube Live

Show do RHCP no Bonnaroo 2012 será transmitido ao vivo pelo Youtube Live

O Youtube possui um canal chamado Youtube Live, que transmite diversos eventos ao vivo. Nessa semana o site anunciou que trasmitirá para todo o mundo o Bonnaroo 2012, que tem como destaque em seu lineup:
Radiohead, Red Hot Chilli Peppers, The Shins, Foster the People, Skrillex, Two Door Cinema Club, Black Lips, The Kooks e Mogwai.
O Red Hot Chili Peppers está confirmado no Bonnaroo Music and Arts Festival, em Manchester, Tennessee – EUA, entre os dias 7-10 de junho de 2012. A data exata do show do Red Hot Chili Peppers ainda não foi divulgada. Em breve será anunciada.

Chris Rock irá introduzir o Red Hot Chili Peppers no Rock and Roll Hall of Fame

Chris Rock irá introduzir o Red Hot Chili Peppers no Rock and Roll Hall of Fame


Bette Midler, John Mellencamp, Steve Van Zandt e Robbie Robertson também irão falar no evento.
O Rock and Roll Hall of Fame anunciou os apresentadores que irão introduzir as bandas homenageadas para a cerimônia deste ano no Rock and Roll Hall of Fame: Chuck D vai introduzir os Beastie Boys, John Mellencamp vai introduzir Donovan, Steve Van Zandt introduzirá os Small Faces/faces, Chris Rock irá introduzir o Red Hot Chili Peppers, Bette Midler irá introduzir a Laura Nyro, Billy Gibbons e Dusty Hill do ZZ Top vai introduzir Freddie King e Carole King vai introduzir Don Kirshner. Eles ainda têm de anunciar quem irá introduzir a banda Guns N ‘Roses.
Em apenas três vezes na sua história de 26 anos, a cerimônia do Hall of Fame será realizada em Cleveland. O evento será no dia 14 de abril e será realizado no salão público e terá transmissão (em forma editada) na HBO no dia 05 de maio.
A cerimônia também contará com Robbie Robertson induzindo Cosimo Matassa, Tom Dowd e Glyn Johns e Smokey Robinson induzindo o Blue Caps, the Comets, the Crickets, the Famous Flames, the Midnighters e Midnighters and the Miracles.

Portal da MTV Brasil – A percussão de Mauro Refosco: de RHCP ao Forró

Portal da MTV Brasil – A percussão de Mauro Refosco: de RHCP ao Forró

Mauro Refosco foi entrevistado pelo Portal MTV e sobre o video de Did I Let You Know, ele afirma: “Perguntei pra banda se eles tinham assistido e todos acharam a ideia maravilhosa”.
Apesar de Anthony Kiedis ter declarado considerar ele o “Quinto Pepper”, ele sabe que não é membro da banda e diz. “…São os quatro, e eu sou contratado para fazer shows, turnê, gravações”.
Na entrevista, Mauro fala um pouco da sua carreira, seus projetos e perspectivas para o futuro.
Confira abaixo:
Durante o mês de janeiro deste ano, fãs do Red Hot Chili Peppers se organizaram para prestar uma homenagem à banda. De Los Angeles, Anthony Kiedis, Flea, Chad Smith e Josh Klinghoffer assistiram ao vídeo gravado por brasileiros que adotam o conjunto norte-americano como um estilo de vida. Junto dos quatro integrantes do RHCP estava também outro músico, brasileiríssimo: Mauro Refosco.
Catarinense de Joaçaba, radicado nos Estados Unidos desde os anos 90, Mauro tem uma trajetória bem mais ampla do que “apenas” os instrumentos de percussão que comanda no RHCP. Formado em percussão pela Unesp e pela Manhattan School of Music, o músico já tocou com o Atoms for Peace (de Thom Yorke, do Radiohead), faz parte da Forró In The Dark (grupo de brasileiros que divulga o gênero no exterior) e dividiu o palco com grandes lendas da música – David Byrne e Caetano Veloso entre elas.
Sobre o Chili Peppers, ele gosta de deixar claro: “Eu não sou membro da banda, é uma coisa bem definida entre eles. São os quatro, e eu sou contratado para fazer shows, turnê, gravações”. De Nova York, onde vive (ele diz sentir falta, muita falta, do Brasil), Mauro Refosco conversou por telefone com o Portal da MTV.
Como foi sua chegada no Red Hot Chili Peppers?
O Chili Peppers é uma banda que, se você reparar, tem vários discos com percussão. Eles já tinham um lance de incorporar a percussão na gravação dos discos, mas geralmente era naquela fase em que o disco já está pronto e eles chamam alguém para acrescentar. Eu conheci o Flea no Atoms for Peace, e rolou uma coisa legal, ele deve ter convencido os outros a me chamarem pra participar. Peguei o processo bem no começo da gravação do disco, e quando você participa assim, o seu toque fica mais visível, que foi o que aconteceu no disco todo (“I’m With You”). Tanto que o primeiro single, que era ‘Maggie’, no primeiro take que a gente fez, ficou bem espontâneo. E acho que eles não alteraram nada do que foi feito. Tocar todos juntos altera também o jeito que o Chad toca, algumas frequências ele não precisa cobrir, e isso também influencia o jeito do Flea, que influencia o Josh, cria um efeito dominó. O tracking junto foi legal nesse sentido.
Qual foi a repercussão entre a banda daquele vídeo produzido por fãs brasileiros?
Achei uma coisa singela, é bom ver como as músicas tocam os fãs, o resultado foi legal. Perguntei pra banda se eles tinham assistido e todos acharam a ideia maravilhosa.
Que espaço os instrumentos percussivos ocupam hoje na música popular, o rock e seus derivados?
Já faz tempo que existe esse lance de a percussão no rock n’ roll ser uma coisa marcante, vide Rolling Stones e Beatles. Eu acho que tem toda uma história baseada em um lance de pop music. Certas bandas, como o Talking Heads nos anos 80, começaram a incorporar elementos de música africana, e fizeram a coisa também se ligar à música popular de outros países. A percussão, por exemplo, nos hits de R&B, aquela coisa da conga, da pandeireta, eram elementos bem característicos. É um casamento bem natural, usar percussão como um complemento do ritmo que o baterista faz. Não é um lance predominante, é um tempero, é assim que eu vejo, principalmente no rock. Ao contrário da música brasileira, que é uma coisa mais marcante. Na verdade, os ritmos brasileiros não têm bateria, porque todos vêm da combinação de percussões. O forró é triangulo e zabumba; o samba, pandeiro e tamborim, repique e surdo. Não existe um ritmo tipicamente brasileiro que nasceu da bateria.
O quanto o Forró In The Dark impulsionou sua carreira como instrumentista fora do Brasil?
A gente apresentou um lance que já existe muito forte no Brasil, que é o forró, vem de uma tradição muito grande. Foi mais apresentar mesmo, porque talvez as pessoas conheciam muito bossa nova e samba, que são os produtos de exportação da música brasileira, mais fortes e conhecidos. O lance era mostrar um pouco da malemolência do forró.
Aquele show de Caetano Veloso com David Byrne, em 2004, do qual você participou, acabou se transformando em disco lançado recentemente…
Era pra ser só um concerto. Não era para ser gravado, e aí aproveitaram a oportunidade, gravaram e lançaram. Eu recebi uma cópia do David, e é um registro ao vivo do que foi aquela noite. Dá pra sentir bastante a emoção do negócio, mas não é cristalino, limpo, tem alguns errinhos. Eu vi que saiu bastante na imprensa internacional, varias críticas. Caetano e David sempre chamam a atenção, com os dois juntos, então…
Você e Thom Yorke ainda continuam em contato para, quem sabe, retomar algo na linha do Atoms For Peaces?
Sim, sim. Quando a gente terminou a turnê ano passado, que foi uma coisa pequena, rolou uma coisa de querer mais, uma vontade. Mas como o Chili Peppers e o Radiohead têm turnês agendadas até o fim de 2012, acho que vai ser difícil. Provavelmente ano que vem, quando rolar um break de ambos, devem rolar mais shows.
Além dessas bandas (Forró, Atoms, RHCP), existe algum outro projeto em curso?
Desde julho do ano passado até agora foi tudo muito intenso. Fiquei em Los Angeles dois meses, quando iniciamos os ensaios e alguns shows com o RHCP, e até o final do ano foi muito intenso. Mas, nesse período mesmo, eu fiz um lance com uma cantora que morava aqui nos Estados Unidos, a brasileira Karina Zeviani. Ela morou por anos entre Londres e EUA, e recentemente voltou ao Brasil. Aqui (em Nova York) ela cantava com a Thievery Corporation, e na Europa com a Nouvelle Vague. Ela tem um disco solo que vai ser lançado em maio, e que é muito legal. Toquei percussão em várias músicas, também compus uma faixa com ela e ajudei a produzir outras duas. É um trabalho do qual tenho orgulho de ter participado, ela é muito boa.

Reportagem: Gabriel Vituri – Portal MTV